SOBRE MIM
Eu nunca fui uma criança que sonhava com uma profissão ~mágica ~. Na verdade, meu plano mais ambicioso, por muito tempo, foi o de entregar correspondências de bicicleta, só pra poder pedalar o dia inteiro, rs.
Em compensação, eu conhecia um lugar ~mágico ~. A chácara dos meus avós foi onde pude aproveitar mais tempo com meu vô. A gente tinha uma conexão tão forte que parecia vir de outra dimensão. Inclusive, a primeira palavra que aprendi a falar foi “bô”, em vez de ‘mamãe’ ou ‘papai’ (e minha mãe reclama disso até hoje, rs)
Aos 14 anos, eu já tinha abandonado a ideia da bicicleta, mas ainda não fazia a menor ideia do que queria ser. Para ser sincera, naquele momento eu estava mais preocupada em descobrir como continuar vivendo. Meu vô foi internado com uma tosse que parecia simples de resolver. Seis dias depois, ele morreu. Para mim, foi um choque que eu nem consigo descrever.
Passei os dias seguintes trancada no quarto. Só conseguia chorar e pensar em morrer. Lembro de um dia em que estranhei perceber que os móveis da minha casa tinham ficado cinza. E não era só um jeito de falar. Era como se o mundo tivesse perdido a saturação, parecido com aquelas alterações visuais que algumas pessoas têm durante uma enxaqueca com aura. Os móveis, as paredes, minhas coisas… tudo parecia desbotado, meio acinzentado. Parei de comer, parei de falar com as pessoas. O único lugar para onde conseguia ir por vontade própria era o cemitério, onde passava horas sentada ao lado da lápide dele, tocando no violão que ele tinha me dado.
Foram quatro meses até minha família perceber que a situação estava ficando grave, e ainda levou um tempo até encontrarmos um médico que não tratasse aquilo como exagero de adolescente.
Foram mais de três anos de tratamento até que, aos poucos, eu começasse a enxergar as cores de novo.
Então num dia qualquer, quando eu tinha 17 anos, minha mãe olhou pra mim e disse “você tem jeito de psicóloga”, sem explicar nada. E, estranhamente, talvez ela estivesse certa, rs.
Em 2016, finalizei a graduação pela PUC-PR, com bolsa integral pelo ProUni. E, coincidentemente (ou não), meu primeiro caso como psicóloga formada foi justamente de um luto intenso e complicado. Ali entendi que estava exatamente onde deveria estar.
De lá pra cá, vieram algumas madrugadas ao telefone com pacientes em crise, ligações para o SAMU de outros estados, orientações a famílias no meio da noite e até uma situação em que precisei agir mais rápido que os bombeiros.
Essas experiências também me fizeram querer estudar cada vez mais. Aprofundei minha formação em traumas complexos e prevenção do suicídio. Depois, me especializei em transtornos do humor, para poder cuidar ainda melhor de pessoas vivendo depressões severas, transtornos bipolares e situações de sofrimento extremo.
E talvez seja por isso que eu continuo me emocionando com o meu trabalho (e enquanto escrevo isso), por saber como é estar do outro lado, sem conseguir enxergar uma saída. Hoje, poder fazer esse papel na vida de outras pessoas é uma das coisas que mais dão sentido ao meu trabalho… Não consigo prometer que tudo vai mudar rapidamente, mas posso prometer que você não vai precisar passar por tudo isso sozinho(a).
Dedico isso ao meu anjo que, mesmo distante, continua me mostrando o melhor caminho ♥
SOBRE MIM
Eu nunca fui uma criança que sonhava com uma profissão ~mágica ~. Na verdade, meu plano mais ambicioso, por muito tempo, foi o de entregar correspondências de bicicleta, só pra poder pedalar o dia inteiro, rs.
Em compensação, eu conhecia um lugar ~mágico ~. A chácara dos meus avós foi onde pude aproveitar mais tempo com meu vô. A gente tinha uma conexão tão forte que parecia vir de outra dimensão. Inclusive, a primeira palavra que aprendi a falar foi “bô”, em vez de ‘mamãe’ ou ‘papai’ (e minha mãe reclama disso até hoje, rs)
Aos 14 anos, eu já tinha abandonado a ideia da bicicleta, mas ainda não fazia a menor ideia do que queria ser. Para ser sincera, naquele momento eu estava mais preocupada em descobrir como continuar vivendo. Meu vô foi internado com uma tosse que parecia simples de resolver. Seis dias depois, ele morreu. Para mim, foi um choque que eu nem consigo descrever.
Passei os dias seguintes trancada no quarto. Só conseguia chorar e pensar em morrer. Lembro de um dia em que estranhei perceber que os móveis da minha casa tinham ficado cinza. E não era só um jeito de falar. Era como se o mundo tivesse perdido a saturação, parecido com aquelas alterações visuais que algumas pessoas têm durante uma enxaqueca com aura. Os móveis, as paredes, minhas coisas… tudo parecia desbotado, meio acinzentado. Parei de comer, parei de falar com as pessoas. O único lugar para onde conseguia ir por vontade própria era o cemitério, onde passava horas sentada ao lado da lápide dele, tocando no violão que ele tinha me dado.
Foram quatro meses até minha família perceber que a situação estava ficando grave, e ainda levou um tempo até encontrarmos um médico que não tratasse aquilo como exagero de adolescente. Foram mais de três anos de tratamento até que, aos poucos, eu começasse a enxergar as cores de novo.
Então num dia qualquer, quando eu tinha 17 anos, minha mãe olhou pra mim e disse “você tem jeito de psicóloga”, sem explicar nada. E, estranhamente, talvez ela estivesse certa, rs.
Em 2016, finalizei a graduação pela PUC-PR, com bolsa integral pelo ProUni. E, coincidentemente (ou não), meu primeiro caso como psicóloga formada foi justamente de um luto intenso e complicado. Ali entendi que estava exatamente onde deveria estar.
De lá pra cá, vieram algumas madrugadas ao telefone com pacientes em crise, ligações para o SAMU de outros estados, orientações a famílias no meio da noite e até uma situação em que precisei agir mais rápido que os bombeiros.
Essas experiências também me fizeram querer estudar cada vez mais. Aprofundei minha formação em traumas complexos e prevenção do suicídio. Depois, me especializei em transtornos do humor, para poder cuidar ainda melhor de pessoas vivendo depressões severas, transtornos bipolares e situações de sofrimento extremo.
E talvez seja por isso que eu continuo me emocionando com o meu trabalho (e enquanto escrevo isso). Eu sei como é estar do outro lado, sem conseguir enxergar uma saída, e precisando que alguém permaneça por perto enquanto as coisas não melhoram. Hoje, poder fazer esse papel na vida de outras pessoas é uma das coisas que mais dão sentido ao meu trabalho… Não consigo prometer que tudo vai mudar rapidamente, mas posso prometer que você não vai precisar passar por tudo isso sozinho(a).
Dedico isso ao meu anjo que, mesmo distante,
continua me mostrando o melhor caminho ♥